Na longa tradição deste blog (não tão longa assim, nem com um cunho tão típico como o de tradição) habituámos (sim, porque isto não é uma coisa só minha, há mais loucas por aí!) o público (que eu desconfio se conte pelos dedos de uma mão, mas isso agora não interessa nada, porque conta é a qualidade!) a:
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falar de aves (coisa que não acontece há um tempo descomunal)
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descrever aquela doença que denominámos estupidez crónica (da qual continuo fielmente a dar exemplos significativos!)
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falar da nossa vida só porque sim (sou craque)
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falar de cinema e eventos (para fingir que tentamos cultivar-nos… ou só que gostamos de cinema e afins…)
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De um blog que intencionava ser uma forma de partilhar a experiência ornitóloga das suas fundadoras evoluiu para um diário/agenda/caderno de notas…
A vida (dizem que…) é feita de mudanças. Que é isso que a faz avançar e evoluir. Este blog mudou. E quem o escreve também. Para melhor? Discutível. Mas acima de tudo irreversível. Porque aquilo que fazemos, escrevemos, dizemos… não se muda, assume-se e pronto! E depois há que lidar com as consequências. Sim, porque crescer também tem dessas coisas, não é só vantagens (que as há e são algumas!… embora de momento não me lembre de nenhuma...). Engraçado como com o decorrer dos anos aprendemos a lidar com as consequências dos nossos actos. Deixam de nos “aparar os golpes” e temos de nos enfrentar. Sim, porque ninguém me convence que a incapacidade de assumir os erros, ou de lidar com as coisas, é no fundo medo de lidar consigo próprio (isto diz-se?) e de perceber até que ponto somos humanos ou falíveis.
Não sei bem se sei lidar com os meus erros. Sei sim que odeio errar. Seja em que campo for. Sei que é humano, mas que se lixe, não quero ser humana nesse ponto. Não é para poder atirar a primeira pedra que o quero, mas sim para não ter de me enfrentar. Porque no confronto fico sempre a perder comigo. Sou uma adversária cruel demais para mim própria… (Deve ser por ser uma paspalha com os erros de outros…) Tudo isto porquê? Não sei ao certo. Em tempos idos escrevia cartas. Escrevia em blocos de notas este tipo de pensamentos que me ocorrem só porque sim. Escrevia num “diário” (mesmo que fosse com uma frequência mensal…). Gosto do som da caneta no papel. Gosto de a ver deslizar e das palavras ficarem lá gravadas. Mesmo que com erros, gralhas, incoerências. Gosto de ler o que pensei. Para ver quem sou. Porque sou uma pessoa diferente em cada texto (passo o exagero da atribuição do nome texto ao que escrevo) que passo para o papel… ou para o teclado, que é a nova versão.
Cada vez mais custa pegar numa caneta e escrever. Olhar para o ecrã e deixar as mãos correrem (não tão velozes quanto deveriam) pelo teclado. Porque no fim, mesmo que ignore todas as gralhas e incorrecções ortográficas, vou ler-me. E não me vou reconhecer. E vou pensar que foi uma desconhecida que escreveu tudo aquilo. Que as minhas amigas vão ler. E vão perceber que não sou ninguém, ou pelo menos uma desconhecida… E vocês, as resistentes que leem, não merecem isso! Merecem a Paty de antes. Aquela que eu acho que um dia fui e que se perdeu por aí, numa qualquer encruzilhada. Que ficou sozinha a resolver um erro e que não se apercebeu que eu continuei…
Digo como defesa de mim própria que não é de todo boa ideia concentrarmos todas as nossas energias na resolução de um único problema, ignorando todo o universo em redor. Porque o resultado disso é, quase infalivelmente, que o problema subsista, e o universo continue o seu caminho e nos deixe para trás… bem como quem nos rodeia, nós próprios ou ambos. Se temos um cérebro com cerca de 100 bilhões de neurônios (organizados em agrupamentos chamados fibras nervosas, cada uma com 80 a 100 neurônios num diâmetro de 30-50 µm) como é possível que não consigamos resolver (e refiro-me a resolver mesmo!) mais do que um problema de cada vez?
Posto tudo isto, e agora que escrevi todas estas palavras, vou publicar-me e conhecer-me!