19.05.2008
Pronto, talvez não tenha sido assim tão extenuante, mas como me sinto extenuada acho que posso construir a frase deste modo…
Há um rapaz mesmo giro apenas 12 bancos à frente!! Mas porque fiquei aqui? A ginástica que tenho de fazer para o ver é considerável, mas vale a pena! Triste é a srª que vai à minha frente pensar que vou com espasmos musculares ou assim…
Que grande conjunto de disparates! Nem que vá a olhar assim tão fixamente! (nota: a ausências das cerca de 15 pessoas que sairam agora melhorou consideravelmente o campo de visão). Vai a dormir, tão querido… não se baba nem nada! Ou então ia incomodado aqui com a desesperada a olhar!
Vou parar de escrever sobre o rapazinho-giro-que-vai-no-comboio-e-me-lembra-bué-o-Heath-Ledger! E cá estÁ! Após apenas algunas disparates cheguei ao ponto que queria: a morte deste actor!
Esta morte que refiro aconteceu há quase 4 meses (22.01.2008). Na altura não escrevi sobre ela, mas sinto que tenho de o fazer. E porquê? Porque sim, já que este é um espaço público de devaneios privados!
[21.05.2008]
1º adeus…
Já ouviram falar de histórias de pessoas mesmo corajosas? Fortes e determinadas, decididas a levar a vida que querem e que acham que merecem (e que na maior parte das vezes merecem mesmo?). Tive o privilégio de conhecer uma pessoa assim. Uma srª lutadora que aos 57 anos resolveu ser feliz. Largou uma situação muito má e partiu rumo a um destino melhor. Emigrou para um país diferente, com uma língua que não conhecia. Não optou por um caminho diferente de milhares de emigrantes portugueses, mas esta srª fazia-o como adulta de 57 anos, deixava para trás um casamento falhado e um filho criado. Por terras estranhas conseguiu encontrar o seu caminho e ser feliz, vencendo preconceitos e barreiras.
Quando, 40 anos depois, o destino lhe levou o companheiro escolhido, possivelmente sentiu que precisava de se despedir dos seus entes queridos que não a tinham acompanhado, mas que nunca tinha abandonado. E regressou, fraca mas ainda com vontade de reviver cenários e situações feizes no sitio que a viu nascer.
Infelizmente, o espírito não conseguiu vencer o corpo e acabou por nos deixar. E agora regressa para o sítio em que decidiu recomeçar.
Assim escrito não parece nada de extraordinário, mas para quem a conheceu, a força que emanava daquele corpo franzino e cansado fazia acreditar numa eternidade que não se verificou.
Mas quando explicamos a alguém que ainda não entende bem o conceito de morte que não vai voltar a ver a bi, podemos dizer com convicção que ela está céu, porque se ele existir, ela tem de estar lá, a velar pelos que cá ficaram. Com asinhas de anjo a combinar com o sorriso.
2º…
Porque as más notícias não gostar de viajar sós.
Carro a circular. Lá dentro uma mãe com o seu filho mais novo (24 anos) e com o seu marido. E eis que as estatísticas aumentam e dá-se o acidente. E mãe e filho não sobrevivem.
E esse jovem, mais novo que eu, deixa de viver. Quantas coisas não terá deixado de fazer? Quantas palavras não foram ditas, quantos gestos foram reprimidos? Quantos momentos bons e maus foram perdidos?
Sei que não é uma situação nova, que milhares de pessoas morrem todos os dias, algumas mais jovens ainda. Mas (felizmente) não pessoas que eu tenha conhecido nalgum momento da minha vida. Não pessoas de quem eu conheça a família.
Bem sei que vivo numa redoma e que tenho uma vida dita “feliz” (pela qual fico muito grata e que cada vez mais estimo). E isso torna-me mais criança em relação a estas situações. E espero nunca me habituar a elas. Porque isso seria apenas banalizar algo que, sendo natural, não pode passar sem uma certa dose de mágoa e de luto.
Nestes momentos, por muito cliché que seja, dá-se mais valor à vida. Temos mais vontade de fazer coisas que antes iam ficando em espera até “um momento oportuno”. A morte é possivelmente o maior elogio à vida.
E agora que contei estas situações menos tristes, sinto-me um bocadinho idiota por deixar aqui o tributo a morte do actor supra-citado. Porque neste contexto ele fica muito para trás.
Mas como foi o inicio do post (mais ou menos), deixo uma música que é uma homenagem “universal”.
Desculpem pelo desabafo…
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, fica aqui mais uma achega na minha obsessão:

