História de amor (pedida especificamente pela minha bebé!)
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Este pedido já me foi feito há uns dias: escrever uma história de amor! Mas estou com umas dificuldades, porque se por um lado queria escrever uma daquelas histórias com final feliz, com direito a principe e a “viveram felizes para sempre” (que é a história que eu quero para ti, quero sinceramente que sejas muito feliz com o teu “principe”), por outro lado tenho de lutar com o meu crescente cepticismo relativamente ao dito sentimento (já explorei este tema noutro espaço…). Mas vou tentar! Ignora se o inicio (ou meio, sei lá eu) for um bocado semelhante de mais à tua própria realidade!
Cá vai:
“Era uma vez (todas as histórias que se prezam tem de começar por “era uma vez”, faz tão parte da narrativa como todo o resto e eu não quero estragar a coisa logo ao início!)… Ia eu escrevendo, era uma vez uma menina já (quase) crescida com cabelinhos cor de… bem, cabelinhos claros! (Isto de associar a cor do cabelo a “coisas” não é para mim, com o meu quase daltonismo permanente - ainda hoje de manhã…. bem, é capaz de ser melhor deixar isto para depois). Essa menina tinha tido uma infância de adulto, e sentia-se um bocadinho dividida (para não dizer completamente baralhada) entre o que era e o que ainda podia ser! Porque no fundo, aquela menina-mulher era uma menina que tinha sido obrigada a crescer, contra vontade, sem direito a passar na casa da infância e sem receber o benefício associado.
Mas essa menina-mulher cresceu com uma capacidade imensa de amar, de ser amiga e ser feliz! Nem sempre acontece, mas ela conseguiu esconder a possível amargura e continuar em frente!
Ora essa menina não havia de ser diferente nas demais que partilham uma vontade imensa de amar e ser amada e um dia encontrou um sapinho com vocação para principe!
Durante muito tempo durou a corte entre os dois, com direito a pedido à família da menina e aprovação da mesma.
E a menina b sentia-se feliz!
E este poderia ser o fim… Se esta fosse um história de conto de fadas! Mas como não é, e a menina o é mesmo e tem uma longa vida (assim o espero) pela frente, obviamente que mais coisas vão acontecer na vida dela!
Descobriu-se com o tempo que o o principe sapo gostava de vestir fardas e que, quando o fazia, ficava com uma rara capacidade de transitar rapidamente entre a condição de sapo e a de principe. Alternadamente e sem aviso. E obviamente que isso foi confuso para a cabeça da nossa menina!
E eis que nessa fase de dúvida surge um principe já feito, que não passava pela fase de sapo (já outras princesas lhe tinham dado o beijinho, que um sapinho daqueles não perde muito tempo), e que adicionalmente tinha uma série de atributos positivos (era giro, simpático, divertido…)
Esse pricipe também começou a fazer a corte à menina e, apesar de não ser tão assumido quanto isso, a menina deixou-se levar pelo sorriso e graças do novo principe.
Mas no fundo, a nossa menina gostava mesmo era do sapo-principe…
E o tempo foi passando (não muito tempo, que hoje em dia as coisas acontecem muito mais rápido e já não há aquelas lentidões inusitadas que não lembram a ninguém e não ajudam nada!).
E a menina, por não ser só menina e ter a parte de mulher a dizer que a situação não podia continuar, deu voltas e mais voltas à cabeça. Porque ela não sabia bem o que fazer e não queria magoar ninguém… nem sair magoada…
E o que a aconteceu que a ajudou a perceber? (sim, tem de haver sempre um acontecimento qualquer que faz click e que marca a diferença).
O que aconteceu foi que o principe começou a mostrar que só o era em part-time (como toda a gente) e que quando era sapo desaparecia! Ou desaparecia porque era um grande sapo, isso agora não sei bem!
E nisso a menina tinha a certeza, queria alguém que fosse em full-time, com ou sem defeitos!
Porque nas histórias modernas, as meninas sabem que os seus principes vão ser sempre sapinhos. E que faz parte a relação e do verdadeiro amor saber aceitar e amar a fase de sapo, com todos os “defeitos” ou falhas que isso pode trazer.
Porque não há relações perfeitas! Paraíso só mesmo aquele que pode existir no Céu, entre Deus e os anjos. Porque antes, na vida, conta tudo, o bom e o mau. E tudo tem um grande valor, porque sem o bom não há mau e vice-versa.
E agora posso perguntar: “o que aconteceu à menina-mulher?”. Sinceramente não sei! Posso dizer que o fim que gostaria para ela era que ficasse o mais feliz possível no maior período possivel Mais que isso não posso fazer…”
Cá está ela bebé, só por ti! Espero sinceramente que gostes e, se não gostares, que mo digas!
Pode ser que um dia destes, num qualquer comboio, escreva outra, com um final mais… terminal! Por agora vou deixar as coisas em aberto, porque a incerteza também é gira e faz parte do crescimento. Já que ninguém te deixou ser criança, eu vou fazer os possíveis por ser criança contigo!
Um beijinho!